A Escala da Permanência



Na Terracrua Design, o Planeamento Regenerativo da Paisagem, integra na sua base, princípios do Design de Permacultura, da Gestão Holistica do Gado e das Pastagens (Holistic Grazing Management), das várias "escolas" da Agricultura e Silvicultura Regenerativas, bem como do Design Keyline, através da sua "ferramenta" chave, a “Escala Keyline da Permanência Relativa”.


Um nome complicado para definir um conceito no entanto intuitivo e sensato, que serve de ferramenta essencial para projetar de forma consciente, eficiente e inteligente, projectos que tenham como finalidade a criação de equilíbrio e a integração eficiente das necessidades humanas com as dinâmicas complexas dos sistemas ecológicos, paisagísticos e territoriais onde se inserem.


Figura 2 – Escala de permanência – P.A. Yeomans.

Originalmente concebida como uma ferramenta para a gestão hídrica, a “Escala Keyline da Permanência Relativa” (The Keyline scale of relative permanence of things agricultural, for the planning, development, and management of agricultural lands, P.A. Yeomans) foi desenvolvida nos anos 1950, por P.A. Yeomans, na Austrália; mas aceita-se no entanto, que este método abrange muito mais do que a simples gestão hídrica e em última análise, a Keyline Scale Of Permanence (KSOP) visa a “criação de paisagens férteis perenes” integradas em parceria com o meio envolvente, robustas e resilientes face às flutuações do tempo.


Na prática, a KSOP sequencia por ordem de importância os principais factores determinantes da

paisagem, em função da sua “permanência relativa”, ou seja:

- Permanência relativa no tempo, o que se expressa em durabilidade;

- A permanência “energética”, ou dificuldade relativa necessária para modificar um dado

factor, o que se expressa em energia;


Concretamente, quanto mais difícil de modificar se releva um factor e quanto mais permanente é

no tempo, maior “importância” ou prioridade, terá na “Escala da Permanência”. Na realidade esta

importância traduz-se num grau de maior influência e impacto nas paisagens e nas atividades

humanas.

Esta escala tem sido largamente utilizada no planeamento de quintas em territórios erodidos e semi-desertificados, sendo que tem sofrido ligeiras adaptações, para melhor se adequar aos diferentes contextos, sem contudo perder a sua estrutura base de observação, planeamento e implementação.

Com a KSOP, Yeomans orienta-nos para uma observação holística, porém hierarquizada num

conjunto de circunstâncias que influenciam de forma determinante o território .


Ao priorizar este conjunto de factores, tanto para o designer como para o promotor do projecto,

identificam-se limites que nos ajudam a definir os focos de acção e evitar o desperdício de tempo com coisas impossíveis ou muito difíceis de mudar. A Escala de Permanência permite-nos focar nas soluções e nos espaços ou domínios em que a facilidade de mudança é maior ou mais rápida, ajudando-nos assim também na calendarização de objectivos.

Essencialmente a KSOP trata-se de uma ferramenta estruturante, que segundo o contexto e as

necessidades dos seus utilizadores, pode ser revista ou adaptada, sempre de forma a abranger

mais e melhor as necessidades do designer de paisagens resilientes.


Na Terracrua Design, adoptamos a seguinte sequência, com a consciência de que, à medida da

intensidade de utilização, poderemos vir a adicionar um ou outro factor, que no contexto do nosso país ou das nossas metodologias próprias de design, se demonstrem pertinentes:


1. Clima

Refere-se às diferentes accepções dos climas: atmosférico, cultural e até mental (o que se traduz nos objectivos individuais e/ou comunitários);


2. Topografia/Geografia

Abrange as características geomorfológicas e topográficas de um território;


3. Água/Recursos hídricos

Recurso crítico e vital, a água da chuva, de nascentes, de ribeiras ou até subterrânea (no lençol

freático) poderá ser escassa ou abundante, uma oportunidade ou uma limitação (por exemplo em

zonas de alagamento sazonal ou no caso de aquíferos muito próximos da superfície);


4. Factores sociais e económicos, e condicionantes legais

Refere-se ao capital disponível, à vizinhança, aos mercados disponíveis (locais ou não), às conexões sociais e às condicionantes legais que podem ser críticas para decisões ou para o sucesso;


5. Acessos/Estradas

O seu ordenamento, traçado ou disposição definem a mobilidade no território, bem como a

quantidade de energia necessária a cada deslocação ou transporte de bens entre diferentes zonas de um território;


6. Vegetação e vida selvagem

A vegetação lenhosa, os animais selvagens são elementos que por si (sem intervenção humana),

mudam lentamente e produzem biocenoses e ecossistemas produtivos vitais na paisagem, que são no entanto críticos no suporte do outros ecossistemas;


7. Microclimas

A combinação dos factores acima referidos criam microclimas, que são fortemente dependentes de factores externos mais "fortes", mas influenciam a disposição de elementos seguintes na Escala de Permanência;


8. Edificado e infra-estruturas

Abrange edifícios, vedações, pavimentos, redes de abastecimento eléctrico, comunicações, água, esgotos e rega, currais, estufas e outras utilidades cujo o seu posicionamento correcto, promove uma menor manutenção e maior resiliência do projecto.


9. Limites e fronteiras/Zonas

Existem várias formas de estender moderadamente a área de uma propriedade por exemplo:

barragens que recolhem água de linhas a jusante, situadas fora da propriedade; cedência de

terrenos para pastagens. No entanto, o planeamento das vedações no interior da propriedade

ganha em se estabelecer como um quadro aberto a futuras oportunidades;


10. Solos

Embora sejam a base da produtividade e prosperidade humana, são facilmente destruídos, mas

felizmente regenerados, tanto a nível estrutural como a nível de PH, pelo que não nos devemos

prender ao tipo de solo que encontrámos.


11. Energia

No absoluto, facilmente se muda de um tipo de fonte energética para outro, do petróleo para o

solar, ou eólico.


12. Estética

Categoria subjectiva, a estética de um local depende "dos olhos de quem vê", mas mais ainda dos

factores acima, trata-se no entanto de uma experiência humana interessante e relevante a nível do bem-estar.


A “Escala Keyline da Permanência Relativa” é um exercício que nos remete para o estabelecimento de objetivos e prioridades. Esta vem definir uma linha auxiliar metodológica na tomada de decisões, em projectos que visam a concepção de ambientes socialmente justos, que produzam resultados estáveis, ecológicos e eticamente satisfatórios.

Por fim, numa fase inicial do processo do design, cada factor define-se de forma separada, devendo porém ser entendidos in fine como partes inter-relacionadas de um todo complexo, as paisagens férteis que nos propomos de criar.


É muito provavelmente a chave para a organização das nossas quintas e herdades, já que entre outras coisas, repõs as funções ecológicas e ciclos primários naturais, de forma a beneficiar a qualidade de vida das pessoas, os ecossistemas locais e a produção económica.


Equipa Terracrua Design

352 visualizações

Contactos:

+351 964 296 574

Terracrua Design - Odemira, Portugal | Copyright © 2015 All Rights Reserved by Terracrua Design