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Terracrua Design - Odemira, Portugal

  • TCDesign

Herdade do Nicolau, Serpa

A Herdade do Nicolau, localizada na bacia hidrográfica do Rio Guadiana, numa faixa de terra entre este grande rio, e o Chança, é o reflexo típico das paisagens da margem esquerda do Guadiana: uma paisagem dominada pelo monte de azinho e sobreiro, monotonia esta, que é quebrada por uma topografia diversificada.


Esta propriedade de aproximadamente 500 Ha, tem ainda a imensa sorte de cruzar as origens da sua história com as raízes da família dos actuais proprietários; Estes, conseguiram valorizar, aos olhos das novas gerações, o potencial, a importância e a qualidade destas paisagens, e é nesta base, intergeracional, e com uma ligação secular entre pessoas e terras, que foi desenvolvido um projecto de Planeamento Estrutural Regenerativo.

Para este local, desenvolveu-se um design em torno de três eixos principais:

  • Infraestrutura Natural e hidratação da Paisagem;

  • Integração das atividades existentes, como gado e caça;

  • Desenvolvimento de produções florestais.


Para atingir o ponto do design mais a detalhe de cada zona, foi contudo primeiro feito um parcelamento “macro” do território; Tendo-se selecionado quatro grandes áreas de produção, as com melhores aptitudes para a produção.

Estas áreas, mais aptas para as produções desejadas, influenciaram nomeadamente, as escolhas quanto ao percurso dos acessos principais.


Em pano de fundo, a regeneração dos solos e hidratação da paisagem, são uma necessidade e consequência directa do actual estado de degradação ecológica do terreno, em especial ao nível dos solos e hidrologia: este tem vindo a impor-se subtilmente por vias dos métodos de gestão da paisagem praticados nos últimos 50 anos.

  • Assim, neste nível, foi nomeadamente desenvolvida uma rede de charcas, divididas segundo a sua importância: 1. As charcas prioritárias; 2. As charcas menos prioritárias, de modo a determinar, facilitar e priorizar investimentos financeiros de forma mais eficiente.

  • Enfim, a rede de infraestrutura natural, como sempre, vem trazer uma estrutura arquitéctónica ecológica da paisagem natural: irá beneficiar todo o conjunto paisagístico, os cilcos hídricos, e fomentar biodiversidade e serviços ecológicos.

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Quanto à questão da produtividade e rentabilização económica da propriedade, prende-se em duas frentes:

  • A caça: já existente, procura-se que seja beneficiada, nomeadamente pelo desenvolvimento de uma infraestrutura ecológica/natural, o melhoramento dos acessos e condições para a reprodução das espécies cinegéticas presentes (veados, coelhos, javalis, etc.);

  • A produção florestal e a regeneração do montado: o segundo encontra-se, a nível da flora, com uma diversidade baixa do ponto de vista da idade dos indivíduos e com uma cobertura de solo que revela sobre-pastoreio, pouca permeabilidade do solo, entre outros. Contudo, um problema podendo sempre ser transformado numa oportunidade, aqui, aborda-se o montado como uma base para a regeneração florestal: usar este coberto como abrigo para uma nova série de vegetação, que será escolhida com critérios de rentabilização florestal; Quanto à silvicultura por si, prendeu-se com a correcta selecção de espécies, a potencialização e regeneração das estações favoráveis ás espécies mais rentáveis -através do planeamento hídrico da paisagem, nomeadamente-; bem como, por fim, procura desenvolver-se num modelo de silvucultura sustentável e regenerativa.

  • Por outro lado, a par da silvicultura, caça e regeneração geral do território, a regeneração dos pastos e cobertura permanentes dos solos, combinados com práticas que tomam em conta a topografia e a mitigação dos factores de erosão, são uma vertente elementar no clima seco Alentejano. Neste aspecto, o papel fundamental do gado e da pastorícia holística e/ou sustentável, acaba por ser, naturalmente re-definido: as pastagens deverão, pelo menos concentrar-se fora das zonas de vegetação estrutural (linhas de água, cúmeadas, e grande parte dos pontos de retenção de água).

Sem dúvida que esta herdade, em pleno início de processo de produção regenerativa e silvicultura saustentável vai dar que falar! Vamos ficar atentos!

E, porque imagens falam por vezes mais do que palavras, ficam aqui uns pequenos extratos dos mapas deste projecto, e mais um vídeo da modelação 3D do terreno:





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