Sítio das Alagoas - Entrega final

O projecto do Sítio das Alagoas é um projecto plural: agrícola e de empreendimento turístico em espaço rural, inscrito no grupo “Casa de Campo”. Tendo essa pluralidade, procurou-se equilibrar e definir os moldes do projecto de exploração agrícola, a enquadrar de forma harmoniosa com a actividade turística a desenvolver.


O projecto de 5,7Ha, embora praticamente plano, acarreta os seus desafios, sendo que se incluíram no planeamento:

  • Espaços agrícolas;

  • Área florestal;

  • Caminhos e acessos com vertentes cénicas, e estéticas a considerar;

  • E gestão hídrica, que, neste projecto, como em todos, é muito específica à tipologia do terreno: aqui, ao tipo de topografia e ao tipo de solo.


Trata-se de um território de várzea, onde parte do terreno fica alagado (Alagoas) durante uma grande parte do Inverno: este é percorrido por um ribeiro no ⅓ da secção Norte, e por canais de irrigação em duas das suas extremas.

Água e perfil plano de várzea: dois dos elementos mestres deste território que muitos procuram, e que podem ser uma bênção, ou uma série de complicações… Com encharcamento durante uma parte do ano, num bom terço do terreno e pouco declive para a água superficial escoar, os resultados podem ser muito proibitivos para o agricultor de gado (lama, compactação, etc.), de fruta (podridão e excesso de água nas raízes de certas espécies), e do horticultor, que não pode entrar nas suas parcelas alagadas tão cedo na primavera, apesar de o clima estar favorável ao desenvolvimento de culturas agrícolas…

É com base nestas características com mais peso neste território, que se propôs um plano de vegetação estrutural desenhado para a gestão da água superficial, de forma mais eficiente (através da correcta localização da vegetação) e, mais natural possível (por seguir princípios ecológicos como: utilização de técnicas com baixo impacto -vegetação, materiais naturais; bem como plantação em curva de nível e/ou em zonas estratégicas, etc.).

Esta série de vegetação estrutural, que no Design de Permacultura equivale a um compromisso entre a Zona 5 (funções ecológicas ) e a Zona 4 (funções de rentabilização económica a largo prazo), contempla os seguintes tipos de vegetação:

  • A - Sebes de extrema : Ao longo dos canais de irrigação para aproveitar o ecossistema ali criado, e ao longo dos restantes limites; Ambas sempre com vista à criação de privacidade, ensombramento e valorização da qualidade paisagística.

  • B - Sebe de cintura de zona húmida: é a vegetação “tampão” /Buffer entre o espaço agrícola e a zona mais húmida da propriedade, veja abaixo.

  • C - “Zona húmida”: Esta área é a zona mais húmida do terreno: tanto se observa ao nível da vegetação específica, como pela acumulação de água e formação de poças: é derivada de depressão topográfica anexa à linha de água, mas não só: as características do solo terão influência nesta qualidade.

A área mais húmida e alagada da propriedade, situada no ponto cotado mais baixo e adjacente à linha de água será aproveitada para ser transformada numa micro "zona húmida": ao restituir este ecossistema, beneficiamos das funções e serviços ecológicos que nos oferece este meio particular e cheio de vida.
Sendo um local com condições particulares (alagado no Inverno e seco no verão, solos hidromórficos, pesados, etc...), sugere-se o aproveitamento do potencial deste micro-ecossistema: porque as zonas húmidas, grandes como pequenas, cumprem funções e serviços ecológicos muito valiosos (reter, filtrar, depurar, regular o ciclo hidrológico, benefício da fauna e microfauna). Outro factor a considerar é que esta área revelar-se há mais dispendiosa em energia e recursos a nível de cultivo. A proposta é deste modo relativamente “conservacionista” para esta área: um mínimo de intervenção com uma estratégia mais orientada para a conservação ecológica e/ou regeneração natural pouco assistida.

  • D - Sebe ripícola: A nossa favorita dispensa apresentações! Referiremos somente que esta sebe foi concebida na base fitossociológica das galerias e matos ribeirinhos meridionais de loendros e tamargueira, com o qual decidimos associar um mosaico de espécies típicas do amial paludoso. Esta base puramente ecológica, não nos impede contudo de considerar a necessidade de retorno para quem investe nestes espaços ecológicos: incluem-se assim espécies fruteiras e ribeirinhas comestíveis nas sebes/na orla, bem como foram seleccionadas, dentro das espécies típicas de galerias ripícolas, essências com potencial e fornecimento de serviços não só ecológicos, mas também humanos: por exemplo com fins artesanais como serão o salgueiro vime, ou o castanheiro, etc.

  • D - Açude em linha de água: projectado para ser em pedra, com valor estético e ecológico óbvio, irá igualmente beneficiar a fauna através da recriação de habitats para rãs, aves, libelinhas, etc. ligadas à plantação de plantas como juncos, taboas, etc.

  • E - Sebe corta-vento: o local encontra-se a menos de 10Km do mar, e nele se pretende desenvolver uma área de vinhas, hortas e pomares, e também vida de família e espaços de agro-turísmo que requerem protecção contra os ventos e brisas marítimas.

Foi com muito prazer que entregámos este projecto estimulante, que, embora não tenha uma área muito extensa, para além dos excertos do projecto acima descritos, também contempla entre os objectivos dos promotores, uma área de silvicultura de escala familiar.

Isto é: numa escala que todos podemos gerir, com as nossas famílias, e de onde podemos tirar vários produtos, a curto, médio e largo prazo: lenha, cogumelos, frutos silvestres, material para artesanato, e, enfim: oxigénio.

Bem haja aos promotores, pela motivação em desenvolver este local de forma regenerativa, e por contribuir para a divulgação destes valores, através de um empreendimento agro-turístico, e envolvimento local, com uma futura lojinha para escoamento local dos protudos da quinta.






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